Obesidade, hipercolesterolemia e inflamação: relação com pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia  é uma das causas importantes de morbidade e mortalidade materna e fetal, sendo associada à hipertensão, anormalidades uterinas e disfunções placentárias na gestante e comorbidades fetais adversas, como restrição de crescimento intrauterino e parto prematuro.

Alterações metabólicas associadas à obesidade pré-gestacional e gestacional, como aumento da leptina, glicose, insulina e colesterol circulantes, desempenham um papel cumulativo e vital no desenvolvimento da pré-eclâmpsia.

Uma recente revisão mostrou a associação entre obesidade materna, aumento dos níveis de colesterol e inflamação durante a gestação e pré-eclâmpsia. Os resultados demonstraram que obesidade materna e dislipidemia podem promover pré-eclâmpsia pelo desenvolvimento anormal da placenta. À medida que os adipócitos se tornam hipertróficos na obesidade, há um aumento da leptina, de citocinas inflamatórias, do colesterol total e de LDL-c na circulação materna. Com isso, pode ocorrer disfunção endotelial e aumento geral da inflamação e do ganho de peso durante a gravidez, o que pode contribuir para a vascularização inadequada da placenta e resultados adversos associados à pré-eclâmpsia, como pressão arterial materna elevada e restrição do crescimento fetal. Mais estudos são necessários para avaliar essas relações propostas.

As condutas nutricionais são fundamentais no acompanhamento gestacional, tanto para a gestante quanto  para a criança, pois o aumento de tecido adiposo, alterações nos níveis de colesterol e inflamação podem aumentar os riscos de complicações durante esse período. Logo, é essencial oferecer à gestante uma alimentação saudável e individualizada para ganho peso gestacional adequado e proteção contra complicações metabólicas nessa fase.

ALSTON, C.M. et al. Nutrients; 14(10): 2087, 2022.

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